O excelente livro de Stephen Holmes e Ivan Krastev examina a crise global da democracia liberal, centrando-se na ideia de que o modelo da pretensa superioridade moral ocidental passou de ideal a fardo, como lembra o título do primeiro romance de Rudyard Kipling.
Segundo os autores, a política de imitação da Europa, seguida pela Europa de Leste após 1989, gerou um sentimento de humilhação e perda de identidade que alimenta o populismo atual. Figuras como Vladimir Putin e Viktor Orbán são apresentadas como líderes que rejeitam o excecionalismo moral e abraçam um nacionalismo defensivo, tal como Donald Trump.
Na Rússia e na China, o fracasso em replicar os valores liberais resultou em estratégias de simulação ou rejeição aberta do sistema democrático. Em última análise, a obra sugere que a ausência de concorrência ideológica após a Guerra Fria tornou o liberalismo arrogante e mais vulnerável à atual revolta antiliberal. Contudo, a história não acabou.







